quarta-feira, 6 de outubro de 2010
E-1
sábado, 23 de maio de 2009
EXERCICIOS NAVAIS - ANOS 40 - II
CARACTERÍSTICAS DOS "Vasos de Guerra"
foto - Revista da Armada (Janeiro de 2009, nº426)
foto - Maurício de Oliveira (Submarinos na Marinha Portuguesa)
No primeiro post, com ajuda do nosso amigo e Investigador Luís Filipe Silva, foi possível identificar a maioria dos navios e todos os submarinos nestas fotos, agora contando também com a sua preciosa ajuda, vamos aprofundar mais um pouco este tema.
CONTRATORPEDEIROS DA CLASSE VOUGA
Pertenciam a esta classe 5 navios, a saber:
VOUGA (V) - D 334 entrou serviço 25 - 01 - 1933 abate 03 - 06 - 1967
LIMA (L) - D 333 entrou serviço 25 - 05 - 1933 abate 16 - 10 - 1965
TEJO (T) - D 335 entrou serviço 04 - 05 - 1932 abate 09 - 02 - 1965
DOURO (DR) - D 332 entrou serviço 16 - 08 - 1935 abate 12 - 1959
DÃO (D) - D 331 entrou serviço 27 - 07 - 1934 abate 29 - 09 - 1960
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Foram construídos os dois primeiros em Inglaterra, nos estaleiros Yarrow, e os restantes na Soc. de Construções Navais em Lisboa. Dois outros construídos em Portugal, foram vendidos à Colômbia após serem completados. Os navios desta classe foram modernizados nos anos cinquenta.
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DESLOCAMENTO: 1588 tons.
DIMENSÕES: 96 x 9,5 x 5,7 metros
ARMAMENTO: 4 peças de 120 mm : 3 de 20 mm; 2 calhas lança bombas; 2 reparos quádruplos. de tubos lança – torpedos;
MINAS: 40
PROPULSÃO: 2 grupos de turbinas a vapor de 33 000 H.P. - 2 veios = 36 nós
GUARNIÇÃO: 184 homens
Pertenciam a esta classe 2 navios, a saber:
PEDRO NUNES (ex. Infante D. Henrique ) serviço 1935 – 1976
JOÃO DE LISBOA - F 477 serviço 1937 - 1966
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Avisos de segunda classe construídos no Arsenal de Lisboa, após alguns anos sofreram uma modernização, sendo no final da sua carreira transformados em navios hidrográficos ( P.N. ) em 1959 passando a ostentar o número A 528, e ( J.L.) em 1961, com a identificação A 5200 tendo-lhes sido retirado algum armamento (ver navios hidrográficos).
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DESLOCAMENTO (P.N.): 1 017 tons.
(J.L.): 1 217 tons
DIMENSÕES: 70,5 x 10 x 3,1 metros
ARMAMENTO: 2 peças de 120 mm; 4 de 20 mm; 4 morteiros; 2 calhas.
PROPULSÃO: 2 motores diesel MAN de 2400h.p.-2 veios =16,5 nós.
GUARNIÇÃO: 112 a 139 homens
SUBMARINOS CLASSE DELFIM
Pertenciam a esta classe 3 submarinos, a saber:
DELFIM - D entrou serviço 01 - 12 - 1934 abatido 14 - 11 - 1950
ESPADARTE - E entrou serviço 09 - 01 - 1935 abatido 14 - 11 - 1950
GOLFINHO - G entrou serviço 20 - 02 - 1935 abatido 14 - 11 – 1950
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Foram construídos em Inglaterra pelos estaleiros Vickers em Barrow in Furness. Um destes submarinos fez uma viagem a África durante 51 dias, sendo o único navio português deste tipo que a efectuou.
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DESLOCAMENTO: 854 tons. à superfície; 1105 tons. em imersão.
DIMENSÕES: 69,3 x 6,5 x 3,87 metros
ARMAMENTO: 1 peça de 120 mm; 4 tubos lança torpedos a vante e 2 a ré
PROFUNDIDADE: 100 metros
PROPULSÃO: 2 motores de combustão de 2300 h.p. - 2 eléctricos -2 veios
VELOCIDADE: 16,5 nós à superfície, 9,25 em imersão
GUARNIÇÃO: 41 homens
Textos e gravuras - Luís Filipe Silva
domingo, 19 de abril de 2009
EXERCICIOS NAVAIS - ANOS 40
foto - Revista da Armada (Janeiro de 2009, nº426)
Nesta foto é visível da esquerda para a direita: os Submarinos "Delfim", "Golfinho" e "Espadarte". Em segundo plano, quatro contratorpedeiros da classe Vouga, o primeiro é o "Douro - (DR)" e o segundo "Dão - (D)", os outros dois não foi possível identificar. Temos também o aviso de 2ª classe "Gonçalo Velho" (identificado por uma faixa branca horizontal na chaminé, que o distinguia do seu gémeo Gonçalves Zarco).
aviso - era um navio de combate colonial relativamente lento, bem armado, e com grande autonomia. No seu armamento não eram incluídos torpedos. Foram os antecessores das fragatas.
foto - Maurício de Oliveira (Submarinos na Marinha Portuguesa)
Novamente aqui, vemos os mesmos três submarinos e o aviso "Pedro Nunes".
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Agradecimentos:
Ao Sr. Almirante Roque Martins, pela cedência e autorização de uso da 1ª foto.
Ao António Godinho, pela descoberta.
E ao Investigador Luís Filipe Silva, por mais esta
brilhante colaboração, na identificação, nas
explicações e na 2ª foto.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
OPERAÇÕES NAVAIS NO ATLÂNTICO
SUBMARINOS AMERICANOS NA HORTA EM 1917
Image Credits - Naval Historical Center
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-Como aparece este submarino na Horta?
Um pouco de história:
(totalmente baseado no livro «Os Açores e o Controlo do Atlântico», de António José Telo, que recomendo para todos os que se interessam por História, e na pesquisa na Net, que «vale o que vale»).
Portugal entrou oficialmente na 1ª Guerra Mundial em 9 de Março de 1916.
Até Abril de 1917 os Açores estavam na periferia da zona de operações navais do Atlântico e ainda não tinham sido visitados por submarinos alemães.
Em fins de Maio do mesmo ano os EUA, no âmbito da sua estratégia geral de «avanço» para o teatro de operações na Europa, iniciam (e posteriormente concluem) o processo de instalação de um depósito de carvão de 10.000ton, para serem utilizados como ponto de apoio intermédio pelos navios de pequeno porte que atravessam o Atlântico, e que ficará no porto de Ponta Delgada.
No dia 4 de Julho, pelas 15h00, surge no horizonte desta cidade o U-155 que de imediato começa a efectuar fogo sobre o porto e zona do dito depósito.
Image Credits - Naval Historical Center
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-Que defesas havia nesta altura nos portos dos Açores?
A resposta directa é «quase nenhuma», mas carece de algum enquadramento, que não se irá desenvolver.
Basicamente diremos que os nossos esforços se concentravam no Continente e África, estando a defesa dos Açores e Madeira, por acordo anterior, ao cuidado da Inglaterra (com a sua Royal Navy), que obviamente também não era nenhuma devido ao empenho dos seus recursos em áreas consideradas mais importantes para este país.
Da parte portuguesa, havia em Ponta Delgada desde 1916 duas baterias de cinco peças retiradas de antigas canhoeiras coloniais. Foram montadas em duas pequenas elevações da cidade: Mãe de Deus, o seu sítio deveria ser onde actualmente se encontra a ermida Mãe de Deus, e o Espaldão, que não consegui localizar. Ambas tinham um mau ângulo de tiro, pequeno alcance e cadência lenta.
Já agora, na Horta foi colocada uma bateria de peças K.9 (das quais não consegui nenhum resultado de pesquisa na Net), que, ainda segundo António Telo, se encontravam em tão mau estado que punham em perigo os artilheiros nas raras vezes que as disparam.
Image Credits - Naval Historical Center
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-Voltemos à acção do U-155, e da nossa proverbial «sorte»:
Para surpresa do submarino alemão, este começa a receber tiros de terra de onde não esperava (uma análise posterior a estas acções verifica que o submarino «sabia ao que vinha», tendo-se aproximado pelo ângulo morto das peças existentes em terra).
Os micaelenses estão com sorte. No dia 18 de Junho tinha dado entrada no porto o cargueiro Orion, para reparações, tendo ficado com a sua popa em terra, o que por feliz acaso faz com que uma peça de 100mm nela colocada, fique numa posição alta, com excelente ângulo de tiro, por cima do quebra-mar.
A tripulação é rápida na resposta, o duelo dura cerca de 12 minutos, obrigando o U-155 a submergir e afastar-se. Este volta à superfície, agora a uma prudente distância de 3 a 4000 jardas, focando-se no Orion. As peças de terra ajudam quando conseguem ter o submarino no seu limitado ângulo de tiro, mas é graças ao Orion que o submarino se afasta pelas 21h00.
Em Ponta Delgada foi o delírio, chegando posteriormente a haver uma foto do comandante do navio , J. Boesch, numa marca de charutos...
Image Credits - Naval Historical Center
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Este episódio, segundo António Telo, marca o ponto de viragem no modo dos americanos verem os Açores. Novamente de modo resumido, como a Inglaterra não cumpre a sua parte na defesa do arquipélago, vão os EUA fazê-lo.Para defender os Açores (e sobretudo Ponta Delgada e o depósito de carvão) são enviados uma força de «destroyers» já um pouco antiquados:
- o USS Panther (que é o navio de apoio) -> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Panther
- o «destroyer» USS Smith (DD-17), -> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Smith
- o «destroyer» USS Lamson (DD-18) -> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Lamson
- o «destroyer» USS Preston (DD-19)-> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Preston
o «destroyer» USS Flusser (DD-20) -> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Flusser
o «destroyer» USS Reid (DD-21) -> link´s:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Reid
Esta força constitui-se como a 1ª Divisão de «destroyers».Operam nos Açores de 26 de Julho ao início de Outubro de 1917, seguindo para a Europa onde são considerados mais necessários.Mas os americanos não desistem do seu papel nos Açores. Esta força irá ser substituída por outra, de composição inovadora para as tácticas da época: a Patrol Force Azores Detachment.
Era composta pelo:
- o monitor USS Tonapah (BM-8)-> link:
http://www.tendertale.com/tenders/007/007.html
- o «destroyer» USS Truxtun (DD-14) -> link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Truxtun
- o «destroyer» USS Whipple (DD-15) -> link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Whipple
- a canhoeira USS Wheeling (PG-14) -> link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Wheeling
- e uma divisão de submarinos da classe K (foi a primeira vez que os EUA destacam submarinos para fora das suas águas), que assim forma a chamada 4ª Divisão de Submarinos, composta pelo:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_K-1
- o K-2 (SS-33) -> link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_K-2
- o K-5 (SS-36) -> link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_K-5
- o K-6 (SS-) ->link:
http://en.wikipedia.org/wiki/USS_K-5
Para quem quiser saber como eles vieram e actuaram nos Açores:
http://sub-log.com/united_states_submarines_in_wwi
ou fotos do seu interior:
http://www.pigboats.com/subs/k-boats.html
Mais tarde activar-se-ia, também em Ponta Delgada – após um estudo inicial na Horta - uma pequena base de hidroaviões, também neste caso a primeira vez que os EUA destacaram uma força de aviões)E são estes submarinos a razão de ser deste post. Os primeiros submarinos a entrarem no porto da Horta!As suas características encontram-se nos link´s acima, mas resumidamente:
-armamento: 4 tubos lança-torpedos de 18 polegadas
-velocidade: 14 nós à superfície e 10 nós em imersão
- tripulação: 28 homens
Para se ter uma data de referência na sua actuação nos Açores, descobri que a primeira patrulha deu-se a 1 de Novembro de 1917 pelo K-2.
A 14 de Outubro de 1918 o NRP Augusto de Castilho é afundado após combate com o U-139, conseguindo no entanto que o vapor S. Miguel, que escoltava do Funchal para Ponta Delgada, escape. O comandante do U-139, Lothar von Arnauld de la Perière, foi o mais bem sucedido ás de submarinos da história, com 194 navios e 453 716 toneladas de arqueação bruta afundados (fonte: Wikipédia)A 1ª Guerra Mundial terminou a 11 de Novembro de 1918.
Pesquisa e texto: António Godinho
Fotos: (US) Naval Historical Center














