segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SAILING AND CRUISING STORIES - JCF (13)

CAFÉ SPORT

Eleito o melhor bar para marinheiros da Terra em Dezembro de 2009, mais de noventa anos de portas abertas ao Mundo.
No dia de Natal de 1918, Henrique Azevedo inaugurava o Café Sport, aquele que viria a ser um marco incontornável na história mundial do iatismo oceânico.
Passou pelos ciclos dos navios a carvão, dos hidroaviões nas suas aventuras e, posteriormente, viagens transatlânticas, etc.
Acabadas as noites de blackout da 2ª Guerra Mundial, o Café Sport transformou-se na base das tripulações dos rebocadores holandeses de alto mar.
É na década de 50 que os yachts recomeçam a visitar o Faial e que o Café Sport principia a ganhar uma dimensão sem paralelo.
Hospitalidade foi o mote e passou a ser o porto de abrigo para os iatistas, então conhecidos por aventureiros, que aqui faziam escala.
Pelo Natal de 1968 iniciou-se o cinquentenário deste café.

Um ano em que se fizeram e solidificaram amizades, várias das quais ainda perduram.
E em Maio de 2009, John Guthrie, um dos grandes amigos desse ano “de ouro” e agora ancorado em Mayotte, escrevia um longo email do qual transcrevo algumas linhas que retratam o ambiente que, então, reinava no Café Sport:
“…recordo-me do pequeno e querido “Askadill” atracado ao cais em frente do Posto da Guarda Fiscal, a água tão transparente que podíamos ver o fundo mesmo à noite, quando nos sentávamos na beira do cais a beber copos de verdelho, ou de vinho tinto do Pico carregado de tanino, depois do Sr. Henrique nos ter feito sentir, delicadamente, que já tínhamos bebido o suficiente para uma noitada das boas.

Tenho a certeza que dentre os milhares de marinheiros que visitam a Horta todos os anos, a bordo dos seus yachts, muitos deles sentem o mesmo afecto que nós sentimos antigamente…contudo, estou igualmente seguro de que fomos uns afortunados por termos conhecido o “velho” Café Sport e as pessoas, muito especiais, que se sentavam naquelas cadeiras em castanho à volta das mesas com tampo de mármore … quantas eram, 6 ou 8, não me consigo lembrar… enquanto o Peter se atarefava atrás do balcão e o Sr. Henrique passava por uma sonolência enquanto a cinza do seu cigarro se alongava perigosamente.”

(Despedida do “Bona Dea”)

O “Al Naïr” aparelhou de madrugada.

( Chegada do “Peloha”)

John Guthrie e o seu verdelho, com Alberto Peixoto

à sua direita o único cliente do Café Sport

que ganhou o estatuto de poder tomar

o seu copo por detrás do balcão.

*

Pesquisa e texto - João Carlos Fraga ©

Fotos - Colecção Privada - JCF